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Defensoria Pública do Amapá conquista prêmio inédito com o melhor audiovisual do sistema de justiça brasileiro

Documentário "Condenadas – Pena: Saudade" vence a categoria Audiovisual do Prêmio Nacional de Comunicação e Justiça e marca a primeira vitória de uma instituição amapaense na história da premiação.

Por Ingra Tadaiesky
Data do Registro: 03/08/2026, às 16:43:58


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A Defensoria Pública do Amapá (DPE-AP) alcançou um feito histórico para a comunicação institucional do estado. O documentário "Condenadas – Pena: Saudade" foi eleito o melhor Audiovisual produzido entre todas as instituições do sistema de justiça brasileiro ao vencer o Prêmio Nacional de Comunicação e Justiça, principal reconhecimento da área no país. Além do primeiro lugar na categoria, a produção também ficou em segundo lugar no Grande Prêmio, disputa que reúne os vencedores das 13 categorias da competição.

O anúncio foi feito na última sexta-feira, 31, no encerramento do XX Congresso Brasileiro dos Assessores de Comunicação do Sistema de Justiça (Conbrascom), realizado em João Pessoa (PB), e foi recebido com comemoração pela DPE-AP. A vitória representa um marco para a instituição e para o estado, já que é a primeira vez que uma instituição amapaense alcança esse reconhecimento nacional, colocando o Amapá em destaque entre os principais trabalhos produzidos pelos órgãos do sistema de justiça brasileiro.

Esse feito evidencia o espaço que a Defensoria Pública do Amapá vem ocupando nacionalmente ao apostar em uma comunicação comprometida com os direitos humanos, capaz de transformar histórias invisibilizadas em debate público e aproximar a sociedade da missão institucional.

A premiação também confirmou o protagonismo da Defensoria Pública brasileira na comunicação do sistema de justiça, que nesta edição, venceu oito das 13 categorias disputadas.

Para o coordenador de Comunicação da DPE-AP, Rafael Guerra, a vitória inédita é reflexo do trabalho de uma equipe que compreendeu o verdadeiro papel da comunicação pública.

"Recebemos esse prêmio com muita alegria porque ele é fruto de um trabalho desenvolvido com compromisso, sensibilidade e responsabilidade. Esse reconhecimento mostra que a comunicação pública tem ainda mais valor quando consegue dar voz a quem, tantas vezes, permanece invisível", comemorou o coordenador. 

Uma história que nasceu para dar voz a quem quase nunca é ouvida

Há uma pena que não consta em nenhuma sentença, mas que muitas mulheres presas conhecem bem: a saudade.

É esse sofrimento silencioso, quase invisível, que a produção decidiu escutar e registrar. Por meio de relatos sensíveis, "Condenadas – Pena: Saudade" mergulha na realidade de mulheres privadas de liberdade que, além da reclusão, enfrentam o distanciamento e o esquecimento de amigos, companheiros e familiares. Não há complacência na prisão de uma mulher. O isolamento, o preconceito e a desestruturação dos laços familiares transformam a distância em uma punição que se soma à pena formal e que, para muitas, dói ainda mais.

O compromisso com essas histórias esteve presente desde a primeira exibição. Antes de ser apresentado ao público externo, "Condenadas – Pena: Saudade" foi exibido dentro da penitenciária feminina durante a 1ª Mostra de Cinema e Direitos Humanos do Sistema Prisional. As primeiras pessoas a assistir ao documentário foram justamente as mulheres que inspiraram a produção.

  • Depois disso, o filme percorreu diferentes espaços de reflexão e formação. Foi exibido em faculdades do Amapá e de Minas Gerais para estudantes dos cursos de Direito e Psicologia; integrou a programação da Expofeira 2025; participou da Mostra Fôlego e também foi finalista do Festival Imagem e Movimento (FIM) de 2025.

Reconhecimento nacional

Além da vitória na categoria Audiovisual, a Defensoria Pública do Amapá também conquistou o segundo lugar na categoria Relacionamento com a Mídia, com o projeto "Fórum de Direitos Humanos para Imprensa Amapaense", e foi finalista na categoria Artigo Científico, com o trabalho "O código invisível da injustiça: reconhecendo e combatendo o viés algorítmico na comunicação jurídica", de autoria da jornalista Camila Ramos.

O Prêmio Nacional de Comunicação e Justiça é um dos principais momentos do Conbrascom, congresso que reúne anualmente jornalistas e assessores de comunicação das instituições do sistema de justiça de todo o país. Em sua 20ª edição, o evento teve como tema "O poder da comunicação na reputação da justiça".

Para a diretora do documentário, Ingra Tadaiesky, a repercussão nacional reforça o propósito que motivou a produção.

"As mulheres em situação de cárcere vivem uma dupla vulnerabilidade: primeiro por estarem no cárcere, e segundo por serem mulheres. Elas não enfrentam só a dureza da prisão, mas também o machismo estrutural que as pune com mais severidade e as esquece com mais facilidade. Trazer essa discussão à tona é o verdadeiro sentido de ser do projeto", afirmou a diretora.

O diretor Rogério Lameira destacou o significado coletivo da homenagem.

"Muito feliz por essa conquista. Esse reconhecimento representa muito mais do que um troféu, é a valorização de um trabalho realizado com dedicação, compromisso e responsabilidade na Defensoria Pública", disse.

Para o defensor público-geral, Igor Giusti, a premiação reafirma o papel da comunicação como instrumento de promoção dos direitos humanos.

"Mais do que um reconhecimento técnico, essa premiação reafirma o compromisso da Defensoria Pública com os direitos humanos. Ao lançar luz sobre a realidade das mulheres no sistema prisional, nossa Comunicação mostrou que informar também é uma forma de garantir dignidade. Parabenizo toda a equipe por dar voz a quem a sociedade insiste em invisibilizar. Essa vitória orgulha e fortalece toda a Defensoria Pública", finalizou o gestor.

Assista ao documentário premiado no Youtube clicando AQUI.

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