No dia 22 de abril, a Escola Estadual Augusto Antunes, no município de Santana, recebeu uma palestra que fugiu do roteiro comum das salas de aula. As equações e gramática deram espaço para o combate à violência de gênero, e o público-alvo eram aqueles que têm o poder de perpetuar ou romper com esse ciclo: os alunos do sexo masculino.
A palestra foi conduzida pelo defensor público Roberto Coutinho e integra o projeto Cultura de Paz no Enfrentamento à Violência Contra a Mulher. A iniciativa percorre escolas municipais e estaduais de Santana com um diferencial: homens falando para homens, sejam crianças, adolescentes ou adultos, sobre o papel masculino na proteção e no respeito à mulher. A proposta parte do entendimento de que a mudança de comportamento precisa começar cedo, dentro de casa e dentro da sala de aula.
Na palestra, o defensor propôs aos estudantes uma reflexão sobre situações do cotidiano que, muitas vezes normalizadas, são facetas de uma violência maior.
“O encontro possibilita uma reflexão a esses adolescentes sobre situações que às vezes são do cotidiano, que entendemos como comuns e que muitas vezes são incentivadas, mas no fundo trazem a raiz do que vai se tornar uma violência muito maior. Tentamos mostrar a importância de identificar e combater esses atos", explicou Coutinho.
Entre os presentes estava Marcos Daniel, estudante do primeiro ano. Para ele, a palestra foi mais que uma atividade escolar.
"É muito importante conscientizar os alunos a saber como devem tratar uma mulher, porque muitos não têm essa educação em casa. Então é fundamental que as escolas tragam palestras como essa", disse o estudante.
Enquanto Roberto conduzia a palestra na Augusto Antunes, outras escolas de Santana recebiam, simultaneamente, ações de instituições parceiras do projeto como a Delegacia da Mulher, o Ministério Público do Amapá, a Ordem dos Advogados do Brasil, a Patrulha Maria da Penha da Polícia Militar, o Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM), o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), o Conselho Tutelar, a Câmara de Vereadores, a Polícia Científica do Amapá, o Instituto de Administração Penitenciária e a Secretaria da Mulher.
Ao todo, mais de 40 entidades públicas das áreas de segurança, saúde, educação e sociedade civil trabalham juntas para levar a mensagem de prevenção à violência doméstica aos bairros com maior índice de denúncias em Santana: Hospitalidade, Centro e Paraíso.