Subdefensora pública-geral defende combate à revitimização e prova pericial completa em evento do Agosto Lilás
Mesa redonda discutiu papel da perícia oficial na produção de provas e caminhos para um atendimento mais integrado às mulheres.
Por Ingra TadaieskyData do Registro: 19/08/2026, às 14:56:44
O cuidado em não expor a mulher vítima de violência a revisitar seu trauma seguidas vezes dentro do sistema de justiça foi um dos temas tratados pela subdefensora pública-geral da Defensoria Pública do Amapá (DPE-AP), Adegmar Loiola, durante sua participação na mesa redonda "A construção da verdade e a produção da prova", promovida pela Polícia Científica do Amapá (PCA) e pela Associação dos Médicos Legistas (AMLAP) na terça-feira, 18.
O evento "Agosto Lilás - Violência contra a Mulher: desafios contemporâneos e o papel da perícia oficial na produção da prova e no acesso à justiça", faz parte da programação alusiva ao mês de combate e conscientização pelo fim da violência doméstica e familiar contra a mulher, e reuniu representantes da PCA, Ministério Público, Tribunal de Justiça e Polícia Civil.

Em sua fala, a Adegmar destacou a importância do combate à revitimização das mulheres ao longo do processo judicial. Atualmente, uma mulher precisa repetir seu relato em diversas instituições, revivendo, em cada uma delas, a situação traumática.
"Nós precisamos criar um procedimento em conjunto para evitar que essa mulher seja agredida pela quantidade de vezes que precisa passar pelas instituições", pontuou a Loiola.
Outro ponto central do debate foi a importância de uma perícia técnica imparcial e abrangente desde o início das investigações. Para Adegmar, a produção da prova pericial não deve seguir apenas uma linha investigativa, mas sim adotar um olhar que contemple tanto a acusação quanto a defesa.
"Essas provas precisam ser produzidas da forma mais completa possível para que possamos ter justiça, não ter impunidade, mas também não condenar um inocente", afirmou.

Na plateia, o estudante Andrey Lopes, do 5º semestre de Psicologia da Universidade Federal do Amapá, assistiu a tudo atento e ressaltou a importância do diálogo interdisciplinar para a formação profissional.
"Achei muito interessante essa conversa entre as profissionais que atuam na rede de apoio às mulheres, porque elas trouxeram experiências diferentes que se complementam. Isso me fez pensar em como esse conhecimento pode ser devolvido à população, ou seja, como essas mulheres podem ser ajudadas e receber informações de forma justa e acessível", afirmou o estudante.