1ª Semana da Socioeducação no Amapá encerra com programação na Defensoria Pública

Palestrante Juliana Vinuto falou sobre disputas em torno dos objetivos da segurança socioeducativa.

Por Jeanne Maciel
25 Nov de 2024, 5 meses atrás
1ª Semana da Socioeducação no Amapá encerra com programação na Defensoria Pública

 

Com o objetivo de fortalecer as medidas no Sistema Socioeducativo estadual, a 1ª Semana de Socioeducação no Amapá, realizada nos dias 21 e 22 de novembro, encerrou na última sexta-feira com uma programação na sede administrativa da Defensoria Pública do Amapá (DPE-AP).

A doutora em sociologia e professora da Universidade Federal Fluminense (UFF), Juliana Vinuto Lima, que pesquisa sobre o Sistema Socioeducativo há mais de 12 anos, foi trazida pela Defensoria Pública para fortalecer o debate.

Durante a palestra “Diálogos sobre a Socioeducação: interfaces entre a sanção e a proteção”, Juliana falou sobre as disputas em torno dos objetivos da segurança socioeducativa e os desafios dos profissionais em articular procedimentos de segurança com atividades transformadoras.

“O que eu tenho observado, muita vezes, é que existe uma segregação onde um grupo faz o que é chamado socioeducação, enquanto o outro grupo passa a ser visto como aquele que vai fazer a repressão de conflitos”, apontou Juliana.

Ela também explicou que não existe uma padronização para a nomenclatura dos profissionais que fazem segurança socioeducativa e isso evidencia a concepção distinta do que é esse trabalho.

Ela exemplificou os casos do Rio de Janeiro, onde o profissional é chamado de agente de segurança socioeducativa, e do Amazonas, onde é chamado de socioeducador.

“Eu sempre faço essa pergunta: você acha que o nome da sua função condiz com o que você faz? No Amazonas eles diziam que socioeducador é o mais correto porque eles estão fazendo socioeducação, já no Rio, os profissionais pontuavam que a nomenclatura era a mais correta porque eles fazem um trabalho de segurança”, lembrou.

Segundo a defensora pública Camila Batista, a DPE-AP optou por trazer uma palestra para falar desse conflito dentro da socioeducação, pois é algo também presente no Amapá.

“A gente nota muito isso dentro das unidades socioeducativas, que existe esse conflito, quisemos trazer alguém que fizesse esse estudo de campo para que a gente pudesse apresentar aos agentes daqui caminhos para a resolução desses conflitos”, disse.

A programação do dia 22 também contou com a oficina: "Promoção da Saúde na Socioeducação e a PNAISARI" e com a mesa redonda “Promoção da Aprendizagem no Sistema Socioeducativo".

Além disso, houve a leitura e assinatura da Carta Compromisso para a Socioeducação no Amapá pelo órgãos e instituições participantes.

A 1ª Semana da Socioeducação no Amapá foi realizada pelo Tribunal de Justiça do Amapá (TJAP) em parceria com a Defensoria Pública (DPE-AP), Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Ministério Público (MP-AP), Fundação da Criança e do Adolescente (FCRIA), Centro de Assistência Social (Creas); Ministério Público do Trabalho (MPT), entre outros.