Defensoria Pública promove eleição inédita para pessoas em situação de rua

No total, 101 eleitores participaram da eleição, elegendo Marinaldo (Ronda) para a municipal e Marinaldo para a estadual.

Por Caroline Mesquita
03 Abr de 2025, 24 hrs atrás
Defensoria Pública promove eleição inédita para pessoas em situação de rua

 

A Defensoria Pública do Amapá (DPE-AP) promoveu nesta quinta-feira, 3, a primeira eleição para representantes da população em situação de rua. A iniciativa visa fortalecer a representatividade desse grupo e garantir um canal direto de diálogo com os órgãos públicos e entidades assistenciais.

No processo eleitoral, foram eleitas duas chapas, uma municipal e outra estadual, para atuar no triênio 2025-2028. No total, 101 eleitores que participaram da eleição. As chapas de Ronda e Marinaldo foram as vencedoras, nos respectivos níveis municipal e estadual. Os representantes das chapas escolhidas ocuparão os cargos de Coordenador, Coordenador Adjunto, Secretário Executivo e Secretário Adjunto, exercendo suas funções.

A equipe da DPE-AP realizou uma busca ativa na capital, transportando pessoas em situação de rua até o local de votação por meio da van da instituição, para garantir a participação efetiva dos eleitores.

Para o defensor público Arthur Pessoa, a eleição representa um grande avanço na luta pelos direitos dessa população. "Conseguindo eleger os representantes, será possível intermediar com os poderes públicos, ampliar a participação em eventos e, em um próximo momento, criar uma associação para essa população tão vulnerável", destacou.

Darlin Reis, de 30 anos, destacou que a eleição é importante para quem mora ou já morou na rua, porque é uma representatividade e vai fazer com que as instituições possam atender esse público de uma forma mais eficaz do que é feita hoje em dia.

“Pessoas param na rua por vários motivos, porque foram abusadas, apanhavam dos pais. Isso traz para as pessoas que moram nas ruas um desamor. O mais importante não é somente o olhar, e sim de amar ao próximo, de se sentir acolhida pelas instituições e que ela pode sair desse lugar. Precisamos de psicólogo, saúde, financeiro, pois precisamos nos alimentar. São tantos problemas que o morador de rua enfrenta", declarou.

A eleição seguiu as diretrizes do Movimento Nacional das Pessoas em Situação de Rua para a realização do processo e está fundamentada na Lei 14.821/2016, que institui a Política Nacional de Trabalho Digno e Cidadania para a População em Situação de Rua. Essa legislação prevê a implementação de representantes que atuem em defesa dos direitos dessa comunidade.